Nascer em Sobral, berço histórico de tradicionais hegemonias políticas cearenses, costuma ditar destinos. Para Luisa Cela de Arruda Coelho, de 39 anos, o roteiro parecia duplamente encomendado, carregando o peso e a herança de uma dinastia local: é filha da ex-governadora Izolda Cela e de Veveu Arruda, ex-prefeito do município.
Antes, porém, de reivindicar seu próprio espaço nas urnas, ela preferiu investigar as minúcias do comportamento humano. Psicóloga formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com mestrado em saúde da família e especialização em arteterapia, Luisa fez do cuidado clínico uma ponte para a vida pública. Foi no cruzamento exato entre a saúde coletiva e a expressão subjetiva que ela encontrou sua principal trincheira: a cultura como ferramenta de transformação social.
Sua imersão nas engrenagens do Estado ocorreu longe dos microfones e mais próxima das planilhas. A partir de 2013, começou a operar na sala de máquinas das políticas públicas. Durante os governos de Camilo Santana, ocupou o cargo de secretária-executiva da Secretaria da Cultura (Secult-CE) — o posto reservado àqueles que, no jargão administrativo, precisam fazer a estrutura rodar enquanto a vitrine política se ilumina. Essa quilometragem burocrática garantiu-lhe a titularidade da pasta no início da gestão de Elmano de Freitas, credenciada ainda por ter costurado as diretrizes de proteção social e cultura na equipe de transição.
Como gestora, elegeu uma prioridade clara: a capilaridade dos recursos. O principal marco que reivindica é o esforço deliberado de descentralização, uma tentativa de furar a bolha orçamentária de Fortaleza e garantir que os editais e financiamentos irrigassem de fato os municípios do interior do Ceará.
Agora, o ensaio nos bastidores terminou e o palco é o Congresso Nacional. Nas eleições de 2026, Luisa desponta como um dos quadros do Partido dos Trabalhadores (PT) na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Ostentando o número 1301, sua campanha tenta equilibrar o espólio político familiar com a identidade autônoma que forçou a tinta a desenhar entre os fazedores de arte e movimentos sociais.
O plano em Brasília, segundo sua cartilha, é tirar o setor cultural da categoria de “perfumaria” governamental e consolidá-lo como um pilar orçamentário inegociável para o desenvolvimento do país. Nesta transição para o palanque, a candidata busca convencer o eleitorado de que a cultura, afinal, é a forma mais duradoura de assinar o próprio destino.
“A política cultural, por ela, jamais conseguirá ter o alcance de descentralização que a educação possui. Construímos muitas políticas integradas, e claro, ainda podemos melhorar”
Luisa Cela, durante 15ª Bienal do Livro do Ceará, quando defendeu políticas integradas com a rede de ensino, utilizando a estrutura que a educação já possui


