Um novo e preocupante alerta soa para o futuro do Brasil: a crescente falta de interesse dos jovens pelas carreiras de engenharia pode comprometer seriamente a capacidade de inovação e a competitividade do país. Segundo uma nova pesquisa nacional, apenas 12% dos estudantes do ensino médio têm a intenção de cursar Engenharia, o que equivale a 2,3 milhões de jovens. O levantamento, encomendado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e realizado pelo Instituto Locomotiva com 1.150 estudantes, revela um cenário alarmante para setores estratégicos.
A engenharia é o motor que impulsiona o desenvolvimento de uma nação. É a força por trás da infraestrutura que conecta o país, da energia que alimenta as indústrias e lares, das tecnologias que revolucionam o dia a dia e da produção industrial que gera crescimento econômico. Uma futura escassez de engenheiros, como indicam os dados, representa uma ameaça direta à capacidade do Brasil de construir e manter sua infraestrutura, de inovar em tecnologia e de competir em um mercado global cada vez mais exigente.
A pesquisa aponta para uma combinação de fatores que afastam os jovens dessa área vital. A insegurança com a matemática, o alto custo da graduação e a falta de identificação com a carreira surgem como barreiras decisivas.
As Raízes do Problema: Da Sala de Aula ao Bolso
Um dos dados mais reveladores da pesquisa aponta para uma falha estrutural na formação dos estudantes: 79% dos entrevistados afirmam que as deficiências na educação básica desmotivam a iniciar ou continuar cursos de graduação. Esse sentimento se reflete na preferência dos jovens, com as Ciências Humanas sendo a escolha de 49% dos que pretendem cursar o ensino superior, contra apenas 28% que preferem as Ciências Exatas.
A insegurança com a matemática é um sintoma claro dessa lacuna educacional. Em uma escala de 0 a 10, a média de segurança dos estudantes com a matéria é de apenas 5,2. O temor dos cálculos é tão significativo que 22% dos que não querem Engenharia citam a dificuldade com a matemática como principal motivo. Mesmo entre os que consideram seguir na carreira, a confiança é baixa: apenas 16% se sentem “muito seguros” com a disciplina.
Além dos desafios pedagógicos, o fator financeiro impõe uma barreira adicional. Oito em cada dez estudantes acreditam que os cursos de Engenharia são caros, uma percepção que pode levar à desistência. Entre os interessados no curso, as dificuldades financeiras foram citadas como o principal motivo para um possível abandono por 23% dos jovens.
Um Futuro Comprometido
A consequência direta desse cenário é a formação de um gargalo que pode frear o progresso nacional. Sem um número suficiente de engenheiros qualificados, o país corre o risco de enfrentar:
- Atraso em Obras Estratégicas: Projetos de infraestrutura, como estradas, saneamento e energia, podem se tornar mais lentos e caros.
- Perda de Competitividade Industrial: A indústria nacional pode perder espaço no mercado global por falta de capacidade de inovar em processos e produtos.
- Dependência Tecnológica: A baixa capacidade de desenvolver tecnologia própria pode aumentar a dependência de soluções estrangeiras, afetando a soberania e a economia.
+ Reverter essa tendência exige uma ação imediata e coordenada, com investimentos na qualidade da educação básica, especialmente em matemática e ciências, políticas de incentivo e acesso ao ensino superior, e iniciativas que mostrem aos jovens o verdadeiro potencial transformador e a importância da engenharia para a construção de um futuro mais próspero para o Brasil.